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Peri-implantite: etiologia e tratamento

Peri-implantite: etiologia e tratamento

Os implantes dentários encontram-se em uma situação única, ancorados nos ossos cortical e medular e emergindo através da mucosa para a cavidade oral. Esta é uma área de constante desafio, devido à formação do biofilme bacteriano. No caso dos implantes, o controle das forças oclusais também assume papel relevante na manutenção da homeostasia. Estes são os dois principais fatores etiológicos da peri-implantite, a perda óssea progressiva ao redor dos implantes, já osseointegrados, com formação de bolsa acompanhada ou não de sangramento e/ou supuração.

O primeiro passo do tratamento da peri-implantite é o diagnóstico da causa. Sendo associada à sobrecarga mecânica, frequentemente causada por trauma oclusal, o ajuste da prótese poderá paralisar e estabilizar o processo. Quando a etiologia for o acúmulo do biofilme bacteriano, inicialmente torna-se imperiosa a orientação do paciente quanto aos métodos de higiene oral e, principalmente, da importância do seu papel no resultado do tratamento.

Nestes casos, o reequilíbrio somente se reestabelecerá por meio do controle do biofilme. A remoção do biofilme bacteriano subgengival é feita através de acesso cirúrgico. Nossas pesquisas in vitro, publicadas em 2005 e 2012, mostraram que a aplicação do jato de bicarbonato de sódio, por um minuto, nas superfícies contaminadas dos implantes foi capaz de remover completamente as bactérias. Porém, clinicamente, a forma do defeito ósseo influencia o sucesso do tratamento. Para alcançar o sucesso é importante que a forma do defeito ósseo permita alcançar toda a superfície contaminada do implante. Normalmente, defeitos ósseos angulares estreitos e profundos apresentarão prognóstico desfavorável, sendo a remoção do implante indicada.

Sendo o biofilme bacteriano completamente removido, deve-se optar entre duas técnicas cirúrgicas: regeneração óssea guiada ou eliminação cirúrgica da bolsa. Fatores como estética e localização na arcada influenciam nesta escolha. Para regeneração, devem-se usar barreiras de membrana e materiais de enxerto, sendo a seleção criteriosa dos biomateriais fundamental para o sucesso do tratamento. Na regeneração óssea guiada pode-se usar barreiras de membrana absorvíveis ou não absorvíveis.

Nos casos em áreas estéticas, em que há a necessidade de se obter pelo menos 2 mm de osso vestibular, para manter a estabilidade da margem mucosa em longo prazo, deve-se optar por uma barreira não absorvível com reforço de titânio como forma de garantir a obtenção da espessura óssea adequada. Nesta situação, a membrana ficará submersa durante o período de seis meses para regeneração óssea. Após esta fase é realizada a cirurgia para remoção da membrana e a coroa pré-existente é reinstalada. Em regiões sem comprometimento estético e, principalmente, quando o implante é imprescindível para manutenção da prótese implantossuportada podemos optar por uma membrana absorvível. Assim, a prótese, que foi removida para a realização da cirurgia, é reinstalada ao final do procedimento. Após a conclusão do tratamento, os pacientes devem ser inseridos em um programa de manutenção periodontal/peri-implantar.

Fonte: inpn.com.br

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